
Abrindo o espaço colaborativo do site, hoje temos o review do HiFi Boy OS V3 feito pelo colega Guilherme Novaes. Se você tem interesse em ter seu review publicado, entre em contato.
Para falar a respeito deste In Ear, vou usar pontuações, que vão de 0 a 10, a cada seção. Ao final, darei uma nota final, que será a média das demais notas.
Uma Observação: Pode ser um pouco redundante isto, mas esta análise se baseia nas MINHAS impressões a respeito do fone e na minha experiência, em geral, com outros fones.
1 – Acessórios
O fone vem em uma embalagem muito bem acabada. A experiência do Unboxing é bem satisfatória e faz você perceber que não se trata de um produto qualquer. Dentro da caixa, você encontra um adaptador P10 e outro para avião; bem como um case, que conterá os fones, já conectados ao Cabo e MUITAS eartips.

Sendo muito exigente, tenho como crítica a qualidade do case, que, apesar de não ser ruim, é dos mais simples, não muito diferente de outros que vêm em modelos mais baratos. Outro ponto é que apesar de o fone acompanhar várias ear tips, incluindo algumas de espuma, não veio nenhuma de silicone. As que vêm, além das de espuma, são de borracha comum, como as encontradas nas maioria dos in ears do mercado. Senti falta, também, de um acessório para fazer a limpeza do fone. Não é muito comum este tipo de acessório nos in ears em geral, mas acho isso essencial para os que são construídos desta forma (semi-custom), já que não há nenhuma espécie de rede ou tela de proteção no bocal.

Nota: 8,5/10
2 – Construção
A construção do fone é simplesmente impecável. Trata-se de um IEM híbrido, com um driver dinâmico e duas armaduras balanceadas. O fabricante afirma que são feitos à mão, da mesma forma que os fones custom. Não parece estar mentindo…

Temos aqui o uso de resina acrílica, que, aparentemente, é a mesma usada em fones Custom de marcas famosas como Unique Melody, Ultimate Ears, Westone, Noble, JH Audio e etc. Os fones são muito bem polidos, sem qualquer imperfeição aparente. Além disso, podem ser vistos os tubos de PVC ligados aos drivers, bem como os filtros de som dentro dos tubos. São dois Tubos: um ligado ao Driver dinâmico e outro ligado às duas armaduras balanceadas.
Com relação ao cabo, o mesmo parece ser também de altíssima qualidade. É destacável, trançado, bem flexível e aparenta ter ótima resistência. Não percebi microfonia durante o uso do fone.

A ergonomia também é ótima. Apesar do tamanho não ser dos menores, não tive dificuldade em encaixá-lo na orelha; na primeira tentativa já obtive sucesso. O isolamento sonoro também é muito acima da média.
Nota: 10/10
3 – Som
Chegando agora à parte mais importante desta review, de modo geral, posso descrever o som como muito natural, orgânico, coerente, e relaxado. Há ótima presença em todas as faixas frequências e não há excesso em nenhuma delas. A assinatura sonora é um V- Shape bem leve, ou quase um L- shape, com os graves mais enfatizados e os médios e agudos quase na mesma quantidade, com uma pequeníssima quantidade de agudos a mais que os médios.
Graves: Os graves deste fone, para mim, são o aspecto mais marcante do som. De cara, é perceptível a capacidade do driver dinâmico, com a grande presença e extensão dos subgraves. O mesmo pode ser falado dos médio-graves (mid-bass), os quais possuem ótimo impacto e definição. Tenho que destacar, porém, que quando uso a palavra “Grande”, a uso mais no sentido da qualidade do que da quantidade. Os graves, em geral, são sim um pouco enfatizados, mas são também muitíssimo controlados, de modo que têm presença suficiente para empolgar em gêneros musicais que dependam de graves, como EDM, por exemplo; e, ao mesmo tempo são graves maduros, que não interferem nas outras frequências. Não senti aqui nenhuma falta, ou excesso nesta região. São, definitivamente, dos melhores graves que já ouvi em um fone (incluindo Headphones ou IEMs).
Nota: 10/10
Médios: Os médios são bastante naturais, aveludados, bem presentes e com uma personalidade mais escura e quente. A coisa mais notável dos médios do OS V3 é o peso que os mesmos têm. Há uma pequena elevação na região mais baixa dos médios (low-mids), o que os torna bem carnudos, palpáveis e dá bastante peso aos instrumentos musicais e às vozes. Isto acaba tornando a experiencia sonora bem agradável. É perceptível também um pequeno vale nos médio-agudos (High-mids), que dá um caráter um pouco mais escuro aos médios e acaba por favorecer mais as vozes masculinas que as femininas. O ponto positivo é que mesmo as vozes femininas são bem agradáveis e naturais e não há nenhum incomodo com sibilância ou estridência nesta região, de modo que possibilita ouvir musicas neste fone por muito tempo, sem fadiga auditiva. Com relação ao “detalhamento”, nesta região, o que posso afirmar é que o que a gravação oferecer de detalhes, o HiFi Boy OS V3 vai entregar ao ouvinte, porém, sem exagerar para criar “detalhamento fake”.
Nota: 8.75/10
Agudos: Os agudos estão quase no mesmo nível de quantidade que os médios, talvez com uma pequena quantidade a mais, em comparação. Apesar disso, são agudos bastante relaxados, sem nenhum tipo de exagero e ausência completa de sibilância ou estridência. Posso considerá-los como agudos bastante naturais. Com relação à extensão, não tenho também do que reclamar: não são os agudos mais extensos que já ouvi, porém, fazem muito bem o trabalho e não ficam devendo neste quesito. O detalhamento é também excelente e, mais uma vez, cabe aqui o que afirmei sobre os médios: “o que posso afirmar é que o que a gravação oferecer de detalhes, o HiFi Boy OS V3 vai entregar ao ouvinte, porém, sem exagerar, para criar “detalhamento fake”. No geral, esta característica relaxada dos agudos, assim como os médios um pouco mais escuros e carnudos tornam o HiFi Boy OS V3 extremamente “não-fadigante” e musical.
Nota: 9/10
Palco Sonoro: O palco sonoro do OS V3 não é muito diferente do que há em quase todos os IEMs do mercado. Lógico que, por limitações físicas, o palco sonoro do OS V3 não vai ser como o de alguns Headphones. Prefiro descrevê-lo como um palco sonoro natural. Pelo fato de ter uma ótima imagem estéreo, expõe os instrumentos com localizações bem precisas e a espacialidade vai ser dada na medida do que é proporcionado pela gravação.
Nota: 8,5/10
Nota Total Som: 9/10
4- Comparações (SOM)
Sony MH1C
Apesar de este fone ser de uma faixa de preço totalmente diferente do HiFi Boy OS V3 (muito menor), sua qualidade sonora é tão alta, que esta comparação é cabível. Os graves do MH1C são mais enfatizados que os do OS V3, principalmente na região dos Sub-Graves. Além disso, há um pouco mais de definição (detalhamento) nos graves do OS V3. Com relação aos médios, o sony tem características bem diferentes das do OS V3, já que ele tem uma curva de frequência similar à Harman IE target.
O MH1C tem menos corpo na região média, porém, não são médios magros, há corpo suficiente. O peso, o brilho, bem como a linearidade dos médios do MH1C são mais realísticos, e mais naturais que no OS V3. O Sony tem médios mais acesos de modo que, por exemplo, “crunchs” de guitarra são mais quentes. Apesar disso, também não há exagero nos médio-agudos do MH1C. São médio-agudos simplesmente mais neutros e lineares que, os do OS V3, o qual tem o pequeno vale, na mesma região. O lado bom de OS V3 ao ter médios mais escuros é que isso os torna, ao mesmo tempo, mais aveludados e macios, em oposição aos médios mais lineares, porém mais “crus” do Sony MH1C.
Em relação aos Agudos, há um pouco mais de quantidade no MH1C. Porém, assim como os agudos do OSV3, são também bastante controlados e não-exagerados. Temos aqui, mais uma vez a dicotomia: agudos mais definidos e crus no MH1C, em oposição ao maior refinamento e maciez dos agudos do OS V3.
Com relação a Palco sonoro e imagem estéreo, são bem similares.
Tanchjim Cora
A Tanchjim, assim como a Moondrop, são da nova safra de chinesas e se inspiram na Harman Target IEM na hora de tunar seus IEMS. Por ter uma curva de frequência proxima à Harman, assim como o Sony MH1C os dois (Tanchjim Cora e Sony MH1C) têm uma sonoridade muito parecida, em termos de timbre, mas com diferenças no equilíbrio das frequências (Graves e agudos principalmente).
Os graves do Tanchjim Cora são MUITO similares aos graves do HiFi Boy OS V3, tanto em termos de quantidade, quanto de qualidade. Para ser bem sincero, não consigo apontar um diferença clara entre os dois fones, nesta área. Ambos têm graves enfatizados na medida certa, com grande extensão nos subgraves, ótimo punch nos médio-graves e muita definição. Com relação aos médios, as diferenças são notáveis.
Os médios do Tanchjim Cora são muito lineares e têm mais presença que os médios do OS V3. A naturalidade dos médios do Tanchjim Cora é absurda e, de forma semelhante ao Sony MH1C, as guitarras tem mais “crunch”, as vozes têm mais brilho e ao mesmo tempo muito controle. A diferença aqui é que, apesar de haver muita semelhança timbrística entre os médios do MH1C e do Cora, ouço do Tanchjim médios mais encorpados, quentes, refinados, cremosos e, ao mesmo tempo, um pouco mais presentes. Não sinto médios um pouco “crus”, como no MH1C. O HiFi boy OSV3, em comparação ao Tanchjim Cora, vai ter médios também muito macios e quentes, porém com ainda um pouco mais de peso, por causa da pequena elevação dos “low-mids”; além disso, o OS V3 tem menos presença na região dos médio-agudos, o que torna a região mais “escura”, em comparação. Posso sim afirmar que o OS V3 tem médios muito naturais e Orgânicos, porém, não chegam ao nível de naturalidade dos médios do Tanchjim Cora.
Com relação aos Agudos, Em termos de quantidade, vejo muita semelhança entre os agudos do Tanchjim Cora e os do OS V3. Ambos têm agudos mais relaxados e com detalhes expostos de forma natural e orgânica, sem exageros. Em nenhum dos dois fones encontrei qualquer resquício de sibilância ou estridência.
Ambos tem Palco Sonoro e imagem estéreo muito similares.
Westone UM PRO 50
Testei este IEM lado a lado com o OS V3 por 3 dias, no final do passado. Não tenho mais ele em mãos, então as impressões aqui serão de acordo com o que lembro dele na época.
Ambos têm a sonoridade muito parecida: macia, quente, relaxada e escura. Com relação aos Graves, o OS V3 tem maior presença de Subgraves, até pelo fato de usar um driver dinâmico para as frequências baixas, ao invés de armadura balanceada, como é caso do UM PR 50. Em relação aos médio-graves (mid-bass), ambos têm punch semelhante, bem como há semelhança na definição das frequências baixas, em geral.
Com relação ao médios, mais uma vez, há muitas semelhanças. Os dois têm bastante corpo, com um pequeno incremento nos low-mids, suavidade e detalhamento muito semelhantes. A diferença que notei nos médios dos dois é que, apesar de ambos serem escuros, os médios do UM PRO 50 acabam sendo ainda um pouco mais, com um vale um pouco maior na região dos médio-agudos. É muito pequena a diferença, mas, em uma audição atenta, é perceptível. Com relação aos agudos, mais uma vez, há muita semelhança: ambos sem exagero, bem controlados, detalhados e relaxados. A diferença é que o OS V3 tem um pouco mais de quantidade de agudos que o UM PRO 50.
Com relação a Palco Sonoro e imagem estéreo, mais uma vez, ambos são muito parecidos, com uma pequena vantagem para o UM PRO 50, no qual percebi um pouco mais de espacialidade. Conclusão: Ótimo fone para quem busca uma sonoridade mais natural e relaxada. Há a troca do padrão “audiófilo” de agudos enfatizados e detalhes destacados, pela musicalidade e por uma experiência livre de fadiga auditiva.
Preço: 160,00 USD
Notas:
Acessórios: 8,5/10
Construção – 8,5/10
Som total: 9/10
Nota Total: 8,7









