
Abrindo o espaço colaborativo do site, hoje temos o review do Tanchjim Cora feito pelo colega Guilherme Novaes. Se você tem interesse em ter seu review publicado, entre em contato.
Vou falar sobre esse IEM, que, para mim, é mais uma prova (muito contundente) de que qualidade não está sempre associada a preço.
Trata-se de um IEM com 1 driver dinâmico em cada lado, tamanho pequeno, muito bem construído, com ótima ergonomia e muito confortável. E o principal: uma sonoridade absurdamente natural e correta.
Acessórios
O fone vem em uma caixa pequena, muito bem acabada. Dentro da caixa, há alguns papéis e cartões da Tanchjim, uma pequena bolsa para guarda o fone e dois pacotes com Eartips P M e G. Em um pacote vem Eartips de Borracha e no outro vem as de silicone. As Eartips que já vem encaixada nos fones são as de tamanho M, de silicone e foram as que melhor encaixaram nos meus ouvidos.
Outro destaque vai para a qualidade da bolsa que veio para armazenar o fone. É de um tecido aveludado e macio, porém, bem rígido e resistente.

Construção e Ergonomia
No Geral, a construção do Tanchjim Cora é muito boa. O fone é bem pequeno e os faceplates são feitos de alumínio pintado, com os símbolos da marca. O resto da estrutura é de um plástico meio fosco/transparente, de boa qualidade. É possível ver os drivers dinâmicos, (que são bem grandes em relação ao tamanho do fone) que são cobertos, cada um, por uma placa metálica (latão), a qual é “eletroforética” e serve para reduzir ressonâncias, segundo o fabricante. Os encaixes das peças do fone são todos muito bem feitos e não notei nenhuma imperfeição na estrutura.

O cabo é o mesmo que acompanha o Tanchjim Oxygen. A única diferença é que, no caso do Cora, é fixo, ao contrário do Oxygen, que tem o cabo destacável (2-Pin, 0,78mm). Este é o único ponto que eu considero negativo, em relação ao cabo. Fora este pequeno contra, tenho apenas elogios com relação à qualidade do cabo, ainda mais pelo preço. Aparenta ser bem resistente, é muito bem fixado aos fones e apresenta muito baixa, ou nenhuma microfonia perceptível, a depender do tipo de uso. Em se tratando de flexibilidade, ele não é excepcional, mas tem flexibilidade suficiente para um bom uso e é difícil de enroscar. Um ponto interessante é que ele não vem com os típicos Ear hooks, para encaixar atrás da orelha. É o próprio cabo, que é parcialmente moldável, que se encaixa no local. No final das contas, acaba sendo um cabo muito prático. O material do condutor, segundo o fabricante é Prata OFC.

Com relação à ergonomia, também só tenho elogios. Apesar de não ser tão boa como a do semi-custom HiFi Boy OS V3, por exemplo, demorei pouco tempo para encontrar uma boa posição para encaixar as peças com uma boa vedação. O tamanho pequeno do fone também ajuda muito, nesse sentido.

Eficiência
O Fone possui 16 ohm de impedância e 103 dB/mW de sensibilidade. É portanto, bastante eficiente. Não foi notada diferença na qualidade sonora entre ele conectado diretamente no Celular Galaxy S8 ou no amp (Fiio A5). Diferenças apenas em termos de volume.
Som
Como demonstram algumas medições, o Tanchjim Cora segue a Harman Target. Sua assinatura sonora é em forma de L: há uma pequena ênfase nos graves, com os médios e os agudos mais menos no mesmo nível de intensidade. A melhor palavra que poderia ser usada para descrever a sonoridade deste fone é “Natural”. O nível de naturalidade e realismo do som são absurdos. Todos os instrumentos, vozes e ruídos diversos, soam muito corretos, como realmente deveriam soar. Todas as faixas de frequência são muito bem colocadas, com muita coesão e sem nenhum tipo de exagero ou artificialidade. É o tipo de som muito simples e honesto, como você pode encontrar em um Headphone como o Sennheiser HD650 ou o HD600.
Graves
Os graves do Tanchjim Cora são um pouco enfatizados, mas muito controlados. São do tipo de graves que nunca vão interferir nas outras frequências nem vão estar presentes quando não necessitados. Os subgraves têm bastante presença, extensão e uma ótima definição. Não são daqueles tipos de subgraves soltos; são do tipo que você consegue perceber com precisão e distinguir facilmente dos médios-graves.
Com relação aos médio-graves, sinto que têm um punch muito bem definido e muito controle. Como já disse em outra Review, são do tipo de graves que vão dar a quantidade suficiente para o ouvinte apreciar qualquer gênero musical, sem nenhum exagero ou deficiência.
A transição dos graves para os médios é impecável, não percebo nenhuma interferência de uma faixa de frequência na outra.
Médios
Para mim, este é o melhor aspecto do som deste fone. Os médios do Tanchjim Cora são simplesmente belíssimos. Há bastante presença e linearidade na região, mas com muito controle, sem exagero. O que mais impressiona é a extrema naturalidade, a fluidez e o realismo desta faixa de freqüência, tanto em termos de timbre, quanto de equilíbrio tonal.
Imaginem uma caixa de bateria ou um violão acústico sendo tocados na sua frente. Se você colocar o Tanchjim Cora nos ouvidos e escutar as gravações destes instrumentos, o resultado vai ser sons e timbres muitíssimo similares . O mesmo pode ser dito para as vozes. Na minha opinião, deveria ser este o tipo de som a ser classificado como de Alta Fidelidade (HiFi).
Com relação a fadiga por sibilância e estridência, nesta faixa de frequência: absolutamente ZERO.
Todos os detalhes são expostos com muita clareza, mas apenas os que forem realmente trazidos pela gravação. Não espere aqui aquele tipo de som com ênfase na região para dar a impressão de detalhes a mais.
Agudos
Os agudos do Tanchjim Cora são também muitíssimo corretos. Ouço eles em linha com os médios, também muito neutros, bem extendidos e sem uma ênfase na faixa de frequencia. Os detalhes de instrumentos mais agudos como, por exemplo, pratos de bateria, são ouvidos com muita clareza, naturalidade e fidelidade. Porém, também na medida do que for proporcionado pela gravação.
Com relação a incômodos com sibilância ou estridência, mais uma vez: absolutamente ZERO.
Esta característica mais neutra dos médios e dos agudos do Tanchjim Cora o tornam um excelente fone para escutar músicas por muito tempo ou para uso geral prolongado, já que torna a sonoridade livre de fadiga auditiva. É, realmente, um fone para os apreciadores, para aqueles que querem sentir a emoção proporcionada pela musica. Por outro lado, aqueles que buscam um som mais frio e analítico, com ênfase maior em detalhamento, não estarão satisfeitos com Tanchjim Cora, pois este este tipo de som é exatamente o oposto do dele.

Palco Sono e Imagem Estéreo
Acho o palco sonoro do Tanchjim Cora bem “natural”, já que ele entrega a espacialidade proporcionada pela gravação. Não espere aqui aquela sensação artifícial de grande espacialidade. O que não há no som deste este fone, de toda forma, é sensação de claustrofobia.
A imagem estéreo é muito boa. Há aqui muita precisão e sincronia entre os sons entregues pelo fone esquerdo e pelo direito. Além disso, a localização dos instrumentos é também bastante precisa.
Comparações

SONY MH1C
OBS: antes de fazer esta comparação, tenho que deixar claro que o controle de qualidade do Sony MH1C não é bom. Suspeito que o meu tenha um pouco mais de agudos e graves que o normal (que eu percebo dos gráficos de frequência).
O Tanchjim e o Sony soam muito similares, mas com algumas pequenas diferenças.
Os subgraves do MH1C são um pouco mais enfatizados e soltos que os do Cora. Além disso, não têm o mesmo nível de precisão, definição e controle, apesar de serem também muito bons.
Os médios-graves são muito parecidos, tanto em intensidade quanto em definição. Apesar, disso sinto uma pitada a mais de punch no Tanchjim Cora.
Todas as características a que me referi com relação aos médios do Tanchjim Cora podem ser também atribuídas aos médios do MH1C. A diferença é que sinto um pouco mais de presença e refinamento nos médios do Cora. Os Médios do MH1C, apesar de um pouquinho mais recuados são também um pouco mais crus e agressivos, em comparação aos médios do Tanchjim. Apesar disso, tenho que deixar registrado que os médios do MH1C não são agressivos, no geral. Essas diferenças (bem pequenas) são percebidas apenas em uma comparação direta entre estes IEMs.
Com relação aos agudos, mais uma vez, são bastante similares em termos de timbre, definição e controle. Porém, há um pouco mais de quantidade de agudos no Sony MH1C que no Tanchjim Cora.
Sobre Palco Sonoro, ambos são muito similares.
HIFI BOY OS V3
Tanto o OS V3 quanto o Sony possuem sonoridade natural, relaxada e musical. Porém, o OS V3 tem o som mais “escuro”, enquanto o Cora é mais correto, sem coloração.
A região das baixas frequências dos dois fones são muito parecidas, tanto em termos de definição quanto de extensão. A diferença aqui é que sinto um pouco mais de Subgraves no OS V3.
Com relação aos médios, o OS V3 tem médios um pouco mais “gordos e escuros” que os do Cora. O HiFi Boy tem um pequeno incremento nos low-mids, que dão um pouco mais de peso aos seus médios. Além disso, tem um vale na região dos médio-agudos, o que dá a ele o caráter mais escuro e relaxado na região. O Cora, em comparação, possui médios neutros, lineares, sem nenhum incrimento ou vale na região, o que os torna mais vivos em comparação, porém, com o mesmo refinamento.
Os agudos dos dois fones são muito similares, tanto tem termos de extensão, quanto de timbre e intensidade.
Com relação a Palco Sonoro, ambos são bem similares.
WESTONE UM PRO 50
OBS: Não tenho este IEM em mãos, porém, escutei ele exaustivamente final do ano passado, por 3 dias, comparando com o HiFi Boy OS V3 e tenho uma lembrança muito clara da sonoridade dele. As impressões são com base nesta lembrança.
A sonoridade do UM PRO 50 é bastante natural e relaxada, porém, mais escura (um pouco mais até que a do OS V3).
Os Subgraves do UM PRO 50 têm menos intensidade que os do Cora, contudo, há uma definição similar na região. Nós médio-graves, a definição (muito alta) é também parecida. No entanto, sinto mais punch no Cora, até pelo fato de o mesmo usar um Driver Dinâmico, ao invés de BAs, como o UM PRO 50.
Os médios do UM PRO 50 tm um pequeno incremento na região dos Low-mids, assim como o OS V3, o que dá mais peso a está faixa de freqüência. Há um vale nos médio-agudos do UM PRO 50, o que torna a região média deste fone mais “escura”, com relação ao Cora. O Tanchjim, por ter médios mais lineares, acaba tendo mais vida, realismo e naturalidade na região.
Os agudos são bem parecidos; ambos mais relaxados, com a diferença de que os do UM PRO 50 são um pouquinho recuados, enquanto os do Cora são mais neutros.
Com relação a Palco Sonoro, são também bastante similares, mas com uma pequena vantagem para o UM PRO 50.
Conclusão
É impressionante o som que este fone entrega por apenas 50 USD. Apesar disso, não é novidade para mim que preço nem sempre é sinônimo de performance e que o Marketing gera tanta influência inconsciente nas pessoas que muda até mesmo sua a percepção sonora. Nem mesmo IEMs caríssimos como o famoso CA Andromeda me impressionou tanto quanto este IEM.
Dadas as características sonoras do Tanchjim Cora: naturalidade, realismo, musicalidade, coesão e a sua assinatura sonora, no geral, independentemente do preço, é o Melhor IEM que já coloquei nos meus ouvidos, até agora.
Tenho muita curiosidade e uma certa expectativa outros IEMs que seguem a Harman Target, como o Tanchjim Oxygen e o Moondrop Kanas Pro, mas não espero algo muito melhor, talvez algumas pequenas diferenças, apesar do preço.